Desde que a
Caprichosos de Pilares lançou a campanha do Diretas Já em seu desfile e a Beija
Flor fez Ratos e Urubus, não houve uma crítica social tão necessária quanto esta feita pela Mangueira em 2019.
E parecia que até então que apenas a Beija Flor conseguia ganhar um carnaval com
um desfile crítico, e foi em 2003, Saco vazio não para em pé? Aliás outra
grande crítica necessária que ainda louvava a posse do presidente Lula, em seu
primeiro mandato (Esquerdismos à parte sigamos o texto!) Como toda crítica
artística nasce de uma forte necessidade da catarse de um momento social
doloroso, vemos exatamente a necessidade do povo excluído de dizer sua verdade!
Mesmo que
com grito! Com pichação! Com escárnio... Com carnaval! E foi isso que vimos no
desfile da Mangueira. Espero que isto lance o tema até as salas de aula, e que
a história do Brasil seja revista sim! Brasil que nem descoberto por Cabral
foi, pois já sabiam da existência de suas terras muito antes do português
descer aqui e anunciar ao Velho Mundo que existia e que era dele e da Espanha.
Mesmo que tenha um discurso um pouco exagerado colocando D Pedro I e Princesa Isabel como vilões e eles não eram perfeitos mas também não eram vilões, pois sofriam ataques e pressões de uma elite influente no Brasil e em Portugal que vivia do trabalho escravo. Não podiam lutar pela abolição como quiseram e existem relatos. Ambas esquerda e direita no Brasil estão ainda bastante equivocadas e deslumbradas em exageros de discursos. Isto não desvalida o olhar do artista e a crônica social e crítica poderosa que a escola trouxe para a avenida....
Mas recomendo que vejam os vídeos abaixo:
Agora não
quero dizer que visualmente estava rico, pois riqueza em desfile de carnaval
não é necessária! O Abre alas não tinha 4 chassis como é de praxe, mesmo que o
último carro seja “um rabinho de rato”! Sinto muito que os pavões de plantão pensem o
contrário, busquem o luxo e o exagero em tudo. Mas no final das contas o que
vale mesmo, ou deveria valer, é uma linguagem clara que se identifique com o
publico presente e os que assistem ao vivo e pela net, e um samba que faça
escola e esse público cantar.
Claro que
não vai entrar despencando fantasias ou com ferro aparecendo, não se trata de
romantismo sobre a pobreza mas sim em visual com conteúdo. E foi isto que foi
apresentado.
Grandiosidade
sem criatividade ou bom gosto, não fica bom. Fica vazio de alma!
Mesmo com poucos recursos a escola estava visualmente bela e criativa. Leandro Vieira o criador do enredo e da plástica, que lançou estilo nas fantasias, desde 2016, começa também uma nova linguagem em alegorias, unindo técnicas de design com a folia como poucos até hoje souberam fazer.
A escola ainda enaltecia os heróis apagados da história do nosso país e os heróis anônimos. Uma beleza de tese na avenida, um trabalho de pesquisa que resultou em uma imagética poderosa!
As fantasias eram incrivelmente bem estampadas e bem acabadas,
e a alegoria 2 é pra mim tão impactante que deveria ser considerada uma das
eternas alegorias ao lado do Cristo Mendigo do João, do DNA do Paulo Barros, do
Pierro do Renato na Mocidade e do Noivado de Dona Leopoldina da Rosinha.
Tratava-se de uma pichação ao monumento aos bandeirantes belamente esculpido e
mostrado sem glórias no carnaval carioca, e em vermelho como vermelho é o
rastro de sague que estes falsos heróis deixaram por onde passaram.
AQUI Fonte da Imagem
Eu que sonho um país igualitário, onde se unifique em paz as três etnias, pois o Brasil não
é mais dos índios apenas porque a vergonhosa colonização aconteceu. Mas temos que
fazer o melhor com o que temos. Não dá mais pra separar brancos, negros e
índios pois miscigenou. Mas precisamos deixar de lado a hipocrisia mesmo que
seja ainda fantasiada e mascarada de luxo!
Quem sabe
mudamos a cor da bandeira do nosso país, para Verde Rosa e Branca?
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