"Se o vento soprar eu vou... Deixo o Dom me levar amor!...
Vou em busca de um ideal, do meu Sonho de Carnaval..."
Viradouro 2003
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sábado, 27 de abril de 2013

"Gosto que me Enrosco" da Portela 1995, O Texto do Enredo de José Félix





Texto do site Tradição de Samba AQUI 

PORTELA 1995 - GOSTO QUE ME ENROSCO
(Assista ao vídeo do Desfile clicando AQUI )

"Nos tempos coloniais, havia o entrudo, uma das tradições que herdamos dos portugueses. Os foliões convidavam ao entrudo, que consistia em jatos d’água esguichados com bisnagas, ou mesmo atirados em baldes. Os limões-de-cheiro, fabricados com cera e com recheio de água perfumada, eram mais galantes.
A imprensa desenvolvia unia campanha contra. A favor de um carnaval ao estilo das festas européias, principalmente das venezianas.
A sua decadência atrai a imaginação popular para a confecção das máscaras, feitas de cera muito fina ou de papelão. Simulavam caras de cão, de gato ou de porco. Cabeças articuladas com bigodes e barbas, olhos que piscavam e queixos móveis. O primeiro baile de máscaras em teatros cariocas, foi feliz idéia de unia atriz estrangeira. Abram alas para as colombinas. O aparecimento desses bailes foi de grande importância para a participação da mulher no carnaval. Festa que antes, na opinião de quase todos os pais, moça de família não deveria participar.
Do entrudo, passou o folião carioca às batalhas de flores copiadas do carnaval de Nice. As batalhas de confete, do Carnaval de Nápoles.
Não se sabia ainda, o que eram: cuícas, tamborins e demais instrumentos de percussão, que integram as baterias das Escolas de Samba de hoje. O bumbo, ou zabumba, surge no carnaval introduzido por um português, conhecido por Zé Pereira, tradição durante meio século.
Dele, evoluíram os cordões e blocos que passaram a usar, além do bumbo, cuícas, tamborins, pandeiros e frigideiras.
Surgem as primeiras sociedades carnavalescas em 1850. O Congresso das Sumidades Carnavalescas foi pioneira. Vieram os Tenentes do Diabo, dos Fenianos e Democráticos. Foram associações importantes também para a Abolição da Escravatura. Coletavam dinheiro em suas passeatas para comprar e alforriar escravos.
Dançavam a quadrilha, o xote, a valsa, a polca. A partir de 1870, o maxixe, a dança excomungada. Primeira dança nacional (uma mistura de polca com lundu africano).
Ao final do século passado, os trabalhadores do cais do porto (negros, mestiços, mulatos), deram início ao samba. Os maxixes aproximaram-se do samba urbano de hoje. Concentravam-se nas imediações da Pedra do Sal, no bairro da Saúde, nesta "Sebastinópolis", verdadeiro reduto de usos e costumes trazidos da Bahia.



Nascem os primeiros ranchos que deram outra feição ao carnaval carioca. Desfilavam com enredos cheios de esplendor, arte e riqueza.
Os baianos residentes no Rio, ao trazer seus rituais religiosos e festivos, danças e representações folclóricas, encontraram no carnaval um novo centro de interesse. O carnaval torna-se, nas zonas urbanas, especialmente em Salvador, Rio e Recife, um catalisador do folclore. Chama a si e incorpora os cucumbis baianos, o maracatu de Pernambuco, os congos e congadas, as taieiras e o quilombo. Iniciou-se por esse tempo, o carnaval de rua hoje conhecido. Os cariocas que iam participar dos festejos públicos, desembarcavam dos bondes estacionados em lugares determinados, antecipadamente anunciados pela imprensa. Do início deste século em diante, o carnaval modifica-se constantemente. A Praça Onze transbordava. Dos lados do Cais do Porto e do Mangue, ouvia-se um baticum forte de tambores. O bonde lotado, despejava piratas, odaliscas, malandros de chapéu-palhinha cetins e lamês brilhantes. Bigodes e cavanhaques postiços. Cheiro de suor e do lança-perfume Rodo Metálico. A classe média desfilava de pierrô colombina e arlequim. Os automóveis abertos, ou corsos, eram a novidade. A marchinha "Ó Abre-Alas", de Chiquinha Gonzaga, era invencível desde 1899. Mas cedia a vez ao tango-chula "Vem Cá, Mulata". A iluminação a gás era substituída pela elétrica.
"Pelo Telefone", primeiro samba, abriu caminho para o novo ritmo que chegava. Nos anos 20, a difusão do rádio ameaçava esvaziar os Teatros de Revista. A Festa da Penha, depois do carnaval, seria o maior acontecimento popular do Rio. Acontecia o início do carnaval, pelo menos ao que se referia à música. Compositores lançavam suas obras, já de olho no carnaval seguinte. Multidões acorriam ao subúrbio. Daí a razão dos lançamentos ali. Composição consagrada na Penha, seria êxito indiscutível em fevereiro. Os velhotes de bengala e polaina paqueravam as damas na Confeitaria Colombo.
O samba adquiria seu ritmo próprio e envolvente. Surgia no Estácio a "Deixa Falar", com idéia diferente dos ranchos, na coreografia e na organização.
O aparecimento das Escolas de Samba decretou a decadência dos ranchos. Já vai longe o tempo em que um grupo se reunia na casa da Tia Ciata. Aí nasceu o primeiro samba gravado.
Resta o consolo de que, o carnaval vale pela descontração e consiste em criar um ânimo novo. Com pessoas acreditando mais nas coisas e nos homens. As Escolas de Samba, ainda estão aí: luxuosas, coloridas, desfilando os amores pomposos, os mundos encantados e misteriosos, como o povo gosta.
A sua antiga pureza desapareceu, industrializadas ou não, o fato é que elas continuam sendo o grande, talvez o único, espetáculo desse nosso antigo carnaval de rua.
É preciso cantar e alegrar a cidade. As Escolas de Samba não se deixaram abater pelos modismos de cada época. Adaptaram-se. Levantaram, sacudiram a poeira e deram a volta por cima.”(José Félix)”.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Literatura e Carnaval - Relembrando uma Sinopse Primorosa - Imperatriz 2004



Esta é realmente uma aula, para os compositores atuais, que pegam apenas a ordem das alas e vão criando suas "obras " com base no nome das mesmas o que deixa o samba pra lá de mecânico e cheio de frases longas...
Corremos o risco de em breve escutarmos um novo tipo de samba ernedo, depois do samba lençol o samba   Galvão! Que teria uma letra mais ou menos assim:

Na comissão de frente que vem representado o carnaval
... e ai vem o Abre-Alas...!

# Ficadica.



Enredo: Carnaval 2004
Grupo Especial do Rio de Janeiro

Imperatriz Leopoldinense

Enredo: “BREAZAIL”
Carnavalesca: Rosa Magalhães

SINOPSE

Receita para fazer um bom vermelho
Pique a madeira e coloque-a num caldeirão de água bem quente. Para cada libra de brasil, acrescente uma onça de feno-grego e meia onça de goma-arábica. Ferva durante três horas e deixe repousar por três dias. Retire do caldeirão, com cubos, a quantidade de tinta necessária para tingir.
Prepare este líquido em outro caldeirão, no qual acrescentará o alume. Coloque a seda, que foi deixada num banho de alume durante uma noite, no segundo caldeirão, e passe-a por oito banhos quentes. Caso deseje um outro tom, numa tina de água fresca, dissolva um pouco de água-forte. Assim a cor carmesim se transformará em vermelho-fogo denominado scarlatin.
Uma reação química hoje, uma mágica ontem. Os magos alquimistas, precursores dos químicos da era moderna, muito contribuíram para estas descobertas.
Dedicavam-se sobretudo na busca em transmutar outras substâncias em ouro e prata. Se não encontraram esta fórmula para os metais, descobriram outras, de valor talvez até maior.
O poder simbólico do vermelho
Desde o primórdio das civilizações, o vermelho do sangue e do fogo adquiriu o duplo significado de vida e destruição. Ao vermelho foram atribuídos vários poderes: provocar a fertilidade, afastar os maus espíritos, assegurar a vitória no combate. As virtudes do vermelho não se limitavam aos impulsos bélicos, eram muito mais místicas e profundas. Os indivíduos que se vestiam de vermelho ou púrpura elevavam-se material e espiritualmente acima dos outros.
O vermelho é tão dominante na China, que à cor brilhante dá-se o nome de vermelho chinês. As sedas e os algodões tintos de vermelho vestiam os soldados e os mandarins. Pela sua raridade era caro.
Breazail:
Breves pinceladas sobre corantes e tinturas da Antiguidade, são fundamentais para podermos entender e valorizar a grande aceitação da madeira tintorial brasil asiático e mais tarde do brasil do Novo Mundo.
Os fenícios, grandes navegadores, comercializavam os tecidos tintos de vermelho – o próprio nome fenício, vindo do grego – significa púrpura. Eram os detentores do segredo da fabricação desta mística e suntuosa cor. O dióxido de estanho era um produto indispensável no processo secreto da fabricação da púrpura. Obtinham esse inestimável corante mineral de cor avermelhada com os celtas, povo mineiro que o extraía de minas espalhadas desde a Irlanda até a Ibéria, os celtas chamavam o estanho de breazail, ou vermelhão.
Existem muitas teorias mas acredita-se que o termo brasil tenha origem celta.
O brasil asiático e o brasil do novo mundo
O brasil asiático (Caesalpina sappan) vegetal tinturial, era vendido em toda a Europa (desde o século XII), originária do longínquo oriente. O preço do sappan era mais baixo que de materiais silvestres ou animais. Por ser de fácil aplicação e grande rendimento, tornou-se muito popular.
Colombo, ao chegar a América, escreveu aos reis que esta região possuía madeira tintorial em grande quantidade.
Mais tarde descobriu-se que era uma variedade diferente da asiática e foi chamada de (Caesalpina echinata), o nome científico para o pau-brasil.
Quando foi informado de que a única riqueza aparentemente disponível na terra recém descoberta por Cabral era o pau – de tinta, D. Manuel tratou de declarar a árvore monopólio da Coroa, optando em seguida por arrendar sua exploração para a iniciativa privada.
Primeiro ciclo extrativista, primeira matéria-prima de exportação, primeiro produto contrabandeado, o pioneirismo do pau-brasil não para por aí, o chamado lenho tinturial, se transformaria no primeiro monopólio estatal, primeira privatização, primeiro produto tributado e objeto do primeiro cartel nos trópicos, e também se tornaria a primeira espécie ameaçada de extinção.
A primeira feitoria e forte em Cabo Frio
Américo Vespúcio, é um personagem complexo e contraditório. Vespúcio forjou em torno de si um mar revolto de celeuma e controvérsia. De suas quatro supostas viagens ao Novo Mundo, duas o trouxeram ao Brasil. Após a primeira, ele teria informado ao rei que a única riqueza explorável naquele novo território era “uma infinidade de árvores de pau-brasil”. Na segunda, teria se tornado o responsável pela fundação da primeira feitoria portuguesa na América.
Vespúcio concluiu que a terra visitada era pobre em perspectivas econômicas e as oportunidades comerciais se limitavam ao pau-brasil. Seu relatório parece ter selado o destino do Brasil por quase meio século. O primeiro entreposto para o comércio do pau-brasil foi construído em Cabo Frio.
“Chegamos a um porto em que decidimos erguer um castelo (fortaleza e feitoria) o que logo fizemos, e deixamos ali 24 cristãos que estavam conosco, recolhidos da perdida nau do comandante. Construído o castelo, carregando nossas naus de pau-brasil, ali permanecemos cinco meses. Concluídas essas atividades, concordamos em voltar.”
A Utopia
A narrativa das viagens de Américo Vespúcio, através de cartas, fizeram muito sucesso. O enredo revelou-se insinuante, floreado como um romance. Não foi Vespúcio que batizou o Novo Mundo, foi seu texto. Sucesso estrondoso numa Europa basicamente iletrada, “Mundus Novus” teve 25 edições em mais de seis línguas, em menos de dois anos. Teriam sido cerca de 20.000 exemplares vendidos. Um verdadeiro best-seller.
Um dos leitores que se encantou com a narrativa foi Thomas More, filósofo inglês. Foi baseado neste pequeno trecho da narrativa de Vespúcio que escreveu seu livro mais importante – A Utopia. Um desses 24 marinheiros que ficaram em Cabo Frio, se torna o personagem chamado Rafael Hitlodeu, narrador de uma história que se tornaria um marco da filosofia. Ao invés de morrerem nesta feitoria, saíram de lá e logo adiante encontraram um país inigualável chamado de Utopia, habitada por pessoas singulares no seu modo de vida, os utopianos.
Vivem em perfeita harmonia, nada lhes falta, comida em abundância, mas não comem exageradamente, todos trabalham mas também se divertem. Não dão valor ao que outros povos normalmente prezam muito e para mostrar seu desprezo ao ouro e a prata não são usados como adornos. As jóias são para as crianças se enfeitarem e brincarem, os adultos não se interessam por elas.
Nesse país imaginário, os trajes são simples e elegantes, tecidos são naturais e claros, sem tingimento.
Em Utopia, o pau-brasil com certeza ainda existe, dando sombra e oferecendo um raro espetáculo com suas belas flores amarelas. Nossa esperança é transformar nosso chão numa utopia, a mata atlântica preservada e abundante em pau-brasil...
Bibliografia:
Vespúcio, Américo (1451-1512)
Novo Mundo – as cartas que batizaram a América
Eduardo Bueno – introdução
Editora Planeta do Brasil – 2003. São Paulo
More, Thomas
A Utopia
Título original – “De Optimo Publicae Statu Deque Nova Insula Utopia”
Editora Martin Claret – 2003. São Paulo
Bueno, Eduardo
Pau-Brasil
Axix Mundi Editora – 2002-10-25
Massa, Hilton
Cabo Frio, nossa terra, nossa gente...
Dinigraf – 1996
Silveira, Luiz Carlos da Cunha
O outro Cabo Frio
2003


SAMBA-ENREDO 

Autores: Jeferson, Veneza, Carlos de Olaria, Me Leva e Guga


Vermelho é vida
É sangue, é coração
Coloriu a história
De paixão, de vitória, de vibração
Pintou o manto dos reis
E o encanto chinês
O poder e a religião
Das minas o celta extraía
O corante breazail
Porém era o fenício quem fazia
A tinta que o mundo seduziu
Da Ásia à madeira
Deu o tom pra Europa inteira (bis)
Mas o Brasil do bom
Só em terra brasileira
Viagem ao Novo Mundo
Deu a Vespúcio a primazia
De erguer em Cabo Frio
Fortaleza e feitoria
Depois partiu com o nosso pau-brasil
Deixando aos marinheiros poesia
Visão do infinito, lugar mais bonito
Era o chão da Utopia
Quem dera a paz e a harmonia
Ver meu país cantar feliz
Na sombra de um pau-brasil
Um samba da Imperatriz
Hoje eu quero ver
Caldeirão ferver nessa magia (bis)
O Brasil deu a cor
Pra tingir de amor nossa folia

Fonte: O Batuque




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